Da história que conhecemos
A “lendária” história do casal Manoel da Fonseca e Genoveva que sempre ouvimos não é muito precisa quanto à chegada do casal as terras da região. Alguns historiadores nos falam que o casal chegou por volta de 1800. Já outros narram que estes vieram de Olivença, na época vilarejo pertencente a Portugal, para o Brasil em 1808, depois de resistirem bravamente à invasão de Napoleão Bonaparte, razão pela qual foram recebidos, ao desembarcarem do Rio de Janeiro, pelo príncipe regente D João VI. Então, o casal português se estabeleceu em Baependi e depois veio para Santa Rita. Todos os textos nos falam que Manoel e Genoveva vieram para a região com um casal de filhos, chamados Antonio e Rita de Cássia (ou Maria Rita).
Pois bem, nas minhas pesquisas sobre a história da minha família me deparei com vários registros de batizados, casamento e óbito de filhos do casal Manoel José da Fonseca e Genoveva Maria Martins. Comparando esses registros com os mapas de população de Santa Rita do Sapucaí de 1831 e de 1838, conseguimos informações que nos contam um pouco mais sobre a história do casal e que retificam mais alguns fatos sobre a história dos mesmos e da nossa cidade.
Os registros de batismo dos livros de Silvianópolis
Encontrei registro de batismo de 7 filhos do casal, alem do batismo de Antonio. Alguns batizados em Silvianópolis, então Santana do Sapucaí, e outros em Pouso Alegre, então Capela do Mandu.
1º registro – um menino de nome Dionísio (José da Fonseca), foi batizado em fevereiro de 1789, na matriz de Silvianópolis. No acento vemos a indicação de morada do casal Manoel e Genoveva: bairro do Mandu;
2º registro – uma menina de nome Anna, foi batizada em 1791 na mesma matriz de Silvianópolis, mas a indicação de morada muda para Sapucaí acima;
3º registro – um menino de nome Antonio (Manoel da Fonseca), foi batizado em 1793, indicando morarem no Sapucaí;
4º registro – uma menina de nome Lauriana, batizada em 1800 na matriz de Silvianópolis;
5º registro – uma menina de nome Leonor, batizada em 1803 na capela do Mandu;
6º registro – um menino de nome João, batizado em 1805 na capela do Mandu;
7º registro – uma menina de nome Lucina (Maria), batizada em 1807 na capela do Mandu;
8º registro – um menino de nome Inocêncio (José da Fonseca), batizado em 1809 na capela do Mandu;
Outros registros
Já em 1813, nos livros de registros de Pouso Alegre, temos o casamento de mais um filho do casal, Cipriano José da Fonseca.
Segundo informações da secretaria da igreja de Silvianópolis, Cipriano foi batizado lá em 1798.
Outro registro interessante está no livro de batismo de Natércia: em agosto de 1925, no oratório da fazenda do Cap. Braz Fernandes Ribas, foi batizada Cândida, filha de Tomé de Almeida e Lucinda (ou Lucina) Maria, tendo com padrinhos Manoel José da Fonseca, morador de Pouso Alegre, e sua mulher Genoveva Maria Martins.

Batizado de Cândida, neta de Manoel da Fonseca e Genoveva, realizado no oratório do Capitão Braz Ribas, em Agosto de 1825
No livro de registro de óbitos de Pedralva temos o acento de Antonio Manoel da Fonseca, falecido em 1837, de moléstia de dor de estômago, aos 44 anos, sepultado dentro da então capela de Santa Rita.
Dos mapas de população
No mapa de população de Santa Rita do Sapucaí de 1831, temos Dionísio José da Fonseca, então com 42 anos, carpinteiro, casado com Maria Tereza de Jesus, com 5 filhos, morando a apenas algumas casas dos pais, o casal Manoel e Genoveva (fogo de número 66).
| Quarteirão | Fogo | Nome | Idade | Condição | Ocupação |
|---|---|---|---|---|---|
| 0 | 50 | Dionizio Jose da Fonseca | 42 | Casado | Carpinteiro |
| Maria | 30 | Casada | |||
| José | 14 | Solteiro | |||
| Miguel | 12 | S/ inf. | |||
| Antonio | 8 | S/ inf. | |||
| Albino | 6 | S/ inf. | |||
| Sebastianna | 10 | S/ inf. |
Temos também a filha Lucinda Maria, com 24 anos, casada com Thomé de Almeida, com 3 filhos, morando a duas casas dos pais.
| Quarteirão | Fogo | Nome | Idade | Condição | Ocupação |
|---|---|---|---|---|---|
| 0 | 68 | Thome de Almeida | 30 | Casado | Lavrador |
| Lucinda | 24 | Casada | |||
| Francisca | 7 | S/ inf. | |||
| Candida | 6 | S/ inf. | |||
| Elias | 2 | S/ inf. |
Já no mapa de população de 1838, após a morte de Manoel, Dioniso e Lucinda continuam morando no povoado, nas proximidades da casa da mãe (agora no fogo de número 60). O filho Inocêncio José da Fonseca, com 28 anos, casado com Ana Josefa Machado, então com 3 filhos, aparece morando na casa vizinha a de sua mãe.
| Quarteirão | Fogo | Nome | Idade | Condição |
|---|---|---|---|---|
| 1 | 61 | Inocencio José da Fonseca | 28 | Casado |
| Ana Josefa | 25 | Casada | ||
| Maria | 4 | Solteiro | ||
| Joaquim | 3 | Solteiro | ||
| José | 1 | Solteiro |
O filho Cipriano José da Fonseca, com 40 anos, casado com Luciana Maria Moreira e mais 7 filhos, aparece também como morador do povoado, em uma rua adjacente a da mãe e irmãos.
| Quarteirão | Fogo | Nome | Idade | Condição |
|---|---|---|---|---|
| 1 | 118 | Cipriano José da Fonseca | 40 | Casado |
| Luciana Maria | 38 | Casada | ||
| Crispim | 13 | Solteiro | ||
| José | 12 | Solteiro | ||
| Joaquim | 11 | Solteiro | ||
| Maria | 10 | Solteiro | ||
| Ana | 9 | Solteiro | ||
| João | 2 | Solteiro | ||
| Tereza | 1 | Solteiro |
Da história que não conhecíamos
Com essas informações podemos elucidar mais alguns fatos sobre a história do “lendário” casal:
– O casal teve, apesar de ainda não ter encontrado algum registro de Rita de Cássia (ou Maria Rita), pelo menos, 10 filhos (Dionízio, Anna, Antonio, Cipriano, Lauriana, Leonor, João, Lucinda, Inocêncio e Rita (ou Maria)) – e não apenas 2.
– Manoel e Genoveva eram moradores da região já em 1789 e não a partir de 1800 ou 1808;
– O casal residia nessas paragens desde então, em algum lugar que ainda não pode ser determinado, entre Pouso Alegre e Santa Rita, e tinham terras em ambos as margens do rio Sapucaí. Doaram 8 alqueires de suas terras, da margem direita do rio, para o patrimônio de Santa Rita em 1821, mas moravam na margem esquerda do Sapucaí, pelo menos até agosto de 1825, já que a margem esquerda do rio pertencia a Pouso Alegre até meados do século XIX.
– Com o crescimento do povoado, entre 1825 e 1831, conforme a 1ª parte da história do casal publicada anteriormente aqui, os mesmos se estabeleçam no povoado, juntamente com alguns de seus filhos já casados.










Neco
Parabéns por suas pesquisas.
Assim vc lança luz sobre nossas origens e permite que a história seja escrita com melhores fundamentos de verdade.
Siga em frente.
Ivan
Obrigado pela força Ivan!
Presado Neco. Gostaria muito de saber sobre a família de meu avô paterno, Sarjob Mendes que foi casado com Ambrosina Mendes . Era filho de. Maximiano Mendes ,com parentesco próximo do Barão de Varginha, Será possível resgatar os nomes dessa família, e saber se ainda existem descendentes residindo em Sta. Rita? Agradeço desde já qualquer informação que você possa conseguir para mim…abraços.
Suelí, infelizmente não tenho conhecimento de quem são os descendentes do Maximiano aqui em Sta Rita, mas anoto aqui e, se encontrar algum, te passo. Inté!
gostaria de receber o livro sobre a história de genoveva. Aliás gostaria de ler a história.
Preciso contar a história de Genoveva; aqui por Caxias do sul houve um tempo que todo mundo contava a tal história; parece que até filme tem. Como posso encontrar a tal história, o livro?
Olá Jaime,
Existe uma versão que já é contada a tempos, a qual foi perpetuada por texto escritos na antiga revista Flama e pelo Conego Carvalhinho, em um de seus livros, O Menino do Balaio. Essa versão é muito parecida com o que escreveu o Prof Ivon em seu blog: http://casadoivon.blogspot.com.br/2011/05/2-de-maio-190-anos-de-presenca-e.html
Só que essa versão carece de documentação histórica para comprova-la.
O que tento fazer nesses páginas é “revisar” essa e outras histórias de Sta Rita do Sapucaí, além de revelar outras, com documentos que encontro em minhas pesquisa.
Inté!
gostaria d saber se você sabe algo sobre família sabino em pouso alegre e região…
Olá Neco!
Pelo que vejo de suas pesquisas, o casal chegou a morar no municipio de Santa Rita, certo?
Parabéns pelo seu trabalho.
Abs
Alberto Paduan
Olá, Alberto!
Desculpe a demora em responder.
Sim, o casal morou em Sta Rita e deixou aqui vasta descendência.
Grato pela visita!
Abs
Estou pesquisando sobre a chegada de Manoel e Genoveva ao Brasil. Quando chegar a um “possível acordo” entro em contato com você.
Abs
Alberto Paduan
Pelo que consegui levantar, até agora, do casal Manoel e Genoveva, nem português eles eram. São brasileiros, nascidos na região de Delfim Moreira (Itajubá Velho).
A “história” contada sobre eles, misturou várias narrativas, acontecimentos e personagens na figura dos dois.
Espero seu contato para acordarmos essa história.
Abs
Neco, estou a procura de informações da minha Bisavó Agustinha Moreira Telles ou Agustinha Moreira da Fonseca, Pai de nome José Dionizio Telles do Nascimento e mãe Maria do Carmo ribeiro da Fonseca Filha do coronel João Pinto da Fonseca
Olá, Gianna!
Não tenho em meus registro informações sobre os nomes que você passou.
Sei que, a família do Cel João Pinto da Fonseca, os Dionízios e Teles do Nascimento, são oriundos da região de Cachoeira de Minas.
Abraço e boa sorte!
Boa tarde!!!!!
Será que alguém poderia me ajudar a encontrar alguma coisa sobre meu bisavô? Nome Belisário Bernardo de Moraes
Casado com Maria ibelina de Moraes
Tenho um sonho fazer minha árvore genealogica
Mas é muito difícil!