Enquanto nossas divisas iam se estabelecendo, com certa rapidez, do lado de cá do Sapucaí, o mesmo não se pode dizer das nossas divisas do lado esquerda do dito rio, que demoraram um pouco mais a firmarem-se.
Com a elevação da freguesia de Pouso Alegre a vila, em 1831, as terras a margem esquerda do Sapucaí, antes terras de Campanha, passaram a pertencer a recém criada vila. Seus domínios, em terras hoje santa-ritenses, se estendiam do bairro da Floresta até um pouco além do Timburé, adentrando-se também em terras de Cachoeira de Minas, Conceição dos Ouros, Paraisópolis, dentre outras.
No Registro Paroquial de Terras, de 1856, vários moradores da freguesia de Santa Rita declararam suas posses agrícolas na vizinha Matriz do Bom Jesus, em Pouso Alegre, pois suas terras ficavam na margem esquerda do Sapucaí. Logo abaixo, um resumo destes registros.
Em 1872, a freguesia de São José do Paraíso – atual Paraisópolis – é elevada a vila, desmembrando-se de Pouso Alegre. Com isso, as terras do lado de lá do Sapucaí passam a pertencer à nova vila.
Ideal Vieira nos conta que muitos dos valentões dessa época, quando cometiam qualquer delito em Santa Rita, corriam em disparada, atravessando a ponte sobre o Sapucaí, ficando lá do outro lado a salvo de nossas autoridades, em terras de Paraisópolis.
Em 1888 ocorre a elevação da freguesia de Santa Rita a vila. No texto da lei no. 3658, artigo 1º, tem-se a primeira anexação de terras da margem esquerda do Sapucaí aos domínios de Santa Rita. Essas terras compreendiam a fazenda Pedra Redonda, onde hoje está localizada a fazenda Chalé e seus contrafortes:
No ano de 1901, a lei no. 319 define os limites do município de Santa Rita com os de São José do Paraíso e de Pouso Alegre:
[bluepost]Começam no rio Sapucaí, nas divisas da fazenda da Pedra Redonda com o bairro do Pouso d’Anta, pelo espigão das divisas da dita fazenda, águas vertentes, até o ponto mais alto, seguindo depois à esquerda até o alto da Serra e atravessando a garganta, na fazenda de Antônio Pereira Lopes, segue em linha reta ao espigão que divide as terras de Antônio Bernardes e Jonas Bernardes; e por esta divisa até os Campos do Vintém; e daí, em linha reta, ao lugar denominado “caburé” e deste, em linha reta, ao rio Sapucaí.[/bluepost]
Dez anos depois, em 1911, a lei no. 556 altera as divisas da lei anterior, agregando toda a região do Carumbé a Santa Rita.
Em 1923, uma lei estadual desmembra Cachoeira de Minas de Paraisópolis, delimitando suas divisas. No texto da lei no. 843, artigo 2º, consta uma pequena parte do bairro da Cachoeirinha como terras de Santa Rita.
Em mapa de 1939 já podemos ver o Abertão de Baixo e o Timburé como partes de nosso município. Porém a Floresta e parte dos Pires ficaram em terras de Cachoeira por mais alguns anos, passando a pertencer ao nosso município antes de 1948.
* * *
Resumo dos 25 registros de terras, hoje terras santa-ritenses, que constam nos registros de Pouso Alegre, arquivados no APM sobre o número TP-1-169:
| Proprietário | Página | Terras |
|---|---|---|
| Joaquim Silvério Barbosa | 74v | fazenda Porto Alegre no Pouso d'Antas, por herança de seus pais João José Barbosa e Maria Francisca das Chagas |
| Maria Eufrásia de Jesus | 75 | fazenda Porto Alegre no Pouso d'Antas, por herança de seus pais João José Barbosa e Maria Francisca das Chagas |
| Francisco José das Chagas Barbosa | 76 | fazenda Porto Alegre do Pouso d'Antas, por herança de seus pais João José Barbosa e Maria Francisca das Chagas |
| Jesuino Severino | 78v | fazenda Pouso d'Anta |
| José Bernardo | 79 | fazenda do Pouso d'Antas |
| Joaquim Floriano de Oliveira e José Carolino de Oliveira | 79 | fazenda Porto Alegre do Pouso d'Antas |
| Joaquim Silvério do Nascimento, Manoel Silvério do Nascimento e outros | 84v | terras da fazenda Timburé, por herança de sua finada mãe e sogra, Ana Josefa do Nascimento |
| Antonio Pacheco da Cunha | 88 | parte de terras da fazenda Pedra Redonda, cujas terras houve em pagamento do legado de sua mulher, Cândida Carolina, como consta das partilhas do finado Joaquim Nogueira de Sá, em 1855 |
| Francisco Borges de Moura | 88v | na paragem denominada Pouso d'Antas |
| Lourenço Rodrigues de Mendonça e outros | 89v | terras da fazenda do Timburé e Vintém, comprimento de duas léguas, pouco menos, por uma de largura |
| José Gonçalves Teixeira | 92v | terras na fazenda Palmital, por compra a Antonio Francisco Rosa |
| Maria Teodora do Carmo | 93v | fazenda do Porto Alegre do Pouso d'Antas, por herança de seu pai João José |
| Domingos da Cunha Lobo e Teresa Maria Lopes | 96v | sítio denominado Pouso d'Antas, por herança de seus pais José da Cunha e Bernarda Maria Lopes |
| Teresa Maria Lopes | 97 | sítio denominado Pouso d'Antas, por herança de seus falecidos pais José da Cunha Lobo e Bernarda Maria Lopes |
| José Inácio Francisco | 97v | no Pouso d'Antas, por compra a Manoel Pereira dos Reis |
| Francisco da Cunha Lobo | 105v | na paragem do Pouso d'Antas, por troca com herança do finado Inácio da Cunha, seu pai |
| João Antonio Dias | 107 | lugar denominado Pedra Redonda, por compra a Da. Mariana Eufrasina de Jesus e Domingos Rodrigues Simões, em 1849, e outra parte em pagamento na divisão judicial entre este e os herdeiros de João José da Rosa, em 1850 |
| João Manoel Fernandes | 110 | sítio de nome Palmital |
| Mariana Teresa de Jesus. José Garcia Duarte, Ana Esméria e José Felisberto de Abreu | 110v | lugar denominado Pedra Redonda, por herança de nosso finado pai João José da Rosa |
| Antonio Joaquim de Faria | 120 | fazenda do Pouso d'Antas, por breganha que fez com Antonio Pacheco da Cunha, em 1853 |
| Pedro Gonçalves da Silva | 120v | lugar denominado Pouso d'Antas |
| Luiz da Cunha Pinto | 123v | no Pouso d'Antas, por compra a Domingos Rodrigues Simões |
| Jesuino Franco da Rocha e outros | 134v | fazenda Timburé, que houve por execução contra Silvério Candido de Almeida |
| Joaquim Nogueira de Sá | 389 | fazenda Paraíso, por herança paterna |

