No início do século XIX, os serviços religiosos das redondezas, onde seria erguida posteriormente a Capela de Santa Rita, eram feitos nos povoados mais próximos, respeitando os limites dos bispados de Mariana e São Paulo. Essa demarcação era imposta pelo rio Sapucaí: a margem esquerda pertencia ao bispado de São Paulo, enquanto a da direita era do bispado de Mariana.
Os moradores da margem direita do rio Sapucaí costumavam freqüentar a igreja de Santa Catarina, atual Natércia, ou a ermida de Volta Grande, atual Careaçu, pertencentes ao bispado de Mariana. Já os moradores da margem esquerda procuravam a igreja matriz de Santana do Sapucaí, atual Silvianópolis, ou a capela do Mandu, em Pouso Alegre, que pertenciam ao bispado de São Paulo.
As capelas particulares
Em 1824 o bispo de Mariana, Dom Frei José da Santíssima Trindade, em visita pastoral as capelas e igrejas da região, presenteou ao então Alferes Braz Fernandes Ribas, dono da fazenda Água Limpa do Vintém, e ao Capitão Joaquim Ribeiro de Carvalho, dono de parte da fazenda São José, no bairro do Balaio, com uma pia batismal a cada um, a fim de serem usadas nos oratórios das capelas particulares de suas fazendas.
Com a provisão das pias batismais, veio também a autorização para celebração de missas e casamentos nessas capelas, ficando responsável pelos serviços o Vigário de Natércia da época, Pe Mariano Acioli de Albuquerque.
Padre Mariano vinha de tempos em tempos às fazendas e celebrava missas, casamentos e batizados, alem de ouvir as confissões dos fiéis. Os registros de batismos e casamentos eram anotados nos livros de Natércia onde, até 1827, faziam referencia as suas realizações nas capelas citadas. Já as encomendações de defuntos deste período eram feitas ou na matriz de Natércia ou em um cemitério que existia no bairro do Pouso do Campo.
Um novo Vigário para nova Capela
Após a celebração da missa inaugural da Capela de Santa Rita, em 1825, o Pe. Mariano deu o cargo de Vigário Encomendado da Capela ao Reverendo Atanásio José Rodrigues que ficou responsável pelos serviços religiosos e pastorais do povoado que então surgia.
Em 1836 a Capela de Santa Rita recebeu as prerrogativas de Curato de São Sebastião da Capituva, atual Pedralva. O Vigário Encomendado, Pe. Atanásio, recebeu o cargo de Cura e os registros de batismo, casamento e óbitos passam a serem anotados nos livros de Pedralva.
Em 1839, com a elevação do povoado à categoria de freguesia, o Curato é elevado à Paróquia e, conseqüentemente, a Capela elevada à Matriz de Santa Rita, tendo então recebido livros próprios para registros dos batismos, casamentos e óbitos.
Dois anos sem serviços religiosos
Fato curioso dessa história é que, mesmo depois de celebrada a 1ª missa na Capela de Santa Rita, em 1825, as celebrações de batizados e casamentos continuaram a serem feitos unicamente nas capelas particulares das fazendas do agora Capitão Braz Fernandes Ribas e do Capitão Joaquim Ribeiro de Carvalho, e não na já erguida Capela de Santa Rita.
Só dois anos depois da celebração da primeira missa, em junho de 1827, temos o primeiro registro de batismo, anotado no livro de Natércia, feito na Capela de Santa Rita e em novembro de 1827 o primeiro casamento. Em outubro de 1828 foi anotado o primeiro óbito, com sepultamento feito no cemitério da Capela de Santa Rita. A partir de então, apenas um ou outro batismo ou casamento foram realizados nas capelas particulares.
Segundo pesquisas, podemos especular que esse fato se deu por um destes motivos: a Capela era demasiadamente rústica e não oferecia condições estruturais para receber os serviços religiosos, além da missa inaugural; ou por interesse político do Capitão Braz Ribas e do Capitão Joaquim Ribeiro que não queriam perder seus favoritismos partidários, alimentados pelo prestígio de possuírem capelas em suas fazendas, onde eram realizados os serviços religiosos, e pela influência que podiam exercer sobre os fiéis freqüentadores das celebrações.






