Professor Alfredo Moreira Pinto, famoso geógrafo e historiador paulista, do fim do sec. XIX e início do XX, autor do Dicionário Geográfico do Brasil, esteve em Santa Rita do Sapucaí, nos últimos dias de dezembro de 1897.
A passagem do ilustre Professor Moreira Pinto foi curta. Durou entre 20 e 30 minutos, tempo necessário para que o trem, que o levava de Itajubá com destino a Pouso Alegre, abastecesse a caldeira, descarregasse e carregasse algumas mercadorias, além do trivial desembarque e embarque de passageiros. Mas foi tempo suficiente para o Professor observar e descrever alguns aspectos da Santa Rita daquela época.
Ao desembarcar, Moreira Pinto, com bons olhos de geógrafo, avista a cidade e escreve: [bluepost]“A cidade de Santa Rita do Sapucaí, vulgarmente conhecida por Santa Rita do Vintém, fica á direita do Rio Sapucaí, em uma pequena elevação, oferecendo bonita vista a quem a contempla da estação.”[/bluepost]
O Professor atravessa a recém inaugurada ponte entre a estação e a cidade, chega à praça da matriz e observa: [bluepost]“Tem uma grande matriz, sem torres, e com 4 janelas na frente. Apesar de nova e ainda não concluída, ameaça ruir. Deve ter três altares. Além da matriz, possui as capelas da Aparecida e de S. Miguel. Possui umas quatro ruas estreitas e sem calçamento.”[/bluepost]
Em conversa com moradores, Moreira Pinto fica sabendo de mais detalhes da cidade e anota: [bluepost]“Possui também um mercado, um colégio particular com 70 alunos, um hotel, duas farmácias, 35 casas comerciais, dois médicos e um advogado.
A renda da câmara municipal é de 40 contos.”[/bluepost]
Descrevendo com mais detalhes os aspectos geográficos da cidade, o Geógrafo escreve: [bluepost]“A água, que é boa, é canalizada para um chafariz e cinco torneiras, espalhadas pela cidade.
Atravessa a cidade o córrego do Mosquito, que margeia a Rua Treze de Maio e deságua no Sapucaí.
Além desse córrego e do rio Sapucaí, corre-lhe a dois ou três kilometros o córrego do Vintém.
É separada do distrito da Bala Vista pela serra do Mata Cachorro ou da Bela Vista.
O rio Sapucaí, que separa o município da estação de Affonso Pena, pertencente ao município de S. José do Paraíso, tem sobre si uma elegante ponte de madeira, inaugurada dia 18 deste, e que liga a cidade á estação.”[/bluepost]
Finalmente, para fazer um “agrado” ao povo e a um dos políticos mais influentes da cidade na época, Moreira Pinto encerra sua descrição da cidade com a frase: [bluepost]“É povoação animada, destacando-se dentre os prédios particulares que possui, o em que reside o cidadão Francisco Palma.”[/bluepost]
A descrição nos leva a viajar pela Santa Rita do fim do sec. XIX: ponte de madeira recém inaugurada, ruas estreitas de terra e chafariz, matriz sem torre… Tínhamos 1 hotel, bem localizado próximo a estação de trem… Dois médicos que receitavam os manipulados das duas farmácias com PH… 70 dos nossos antepassados estudando em colégio particular da cidade… A casa do Cel. Francisco Palma, que nos dias de hoje ainda se destaca pela sua arquitetura e imponência, já chamava a atenção dos visitantes… A incrível quantidade de 35 casas comerciais, além de 1 advogado para as contendas e emergências policiais… Quantos detalhes perdidos da nossa história revelados em tão poucas linhas!
Fontes:
– Jornal de Minas Gerais, no. 5 de 6 de janeiro de 1898, pag. 7;
– Apontamentos Para O Dicionário Geográfico do Brasil P a Z. Alberto Moreira Pinto, 1ª Edição, 1899
